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Kahunas e Shapeshiftings
« Online: Novembro 20, 2016, 07:13:36 pm »
Kahunas e Shapeshifting
Digitalização e comentários por Nadia Bertolazzi

[Artigo]Trabalhando c/a Natureza: uma Visão Kahuna
Autor: Serge Kahili King

Sobre o autor: É o kumu (mestre) do Halau Kupua o Kaua'i, uma associação havaiana tradicional de xamãs. Foi treinado desde pequeno na tradição havaiana kahuna e estudou xamanismo durante sete anos na África ocidental. Doutor em psicologia, é diretor executivo da Aloha International, uma organização que se dedica à utilização dos princípios do xamanismo havaiano para fomentar a harmonia pessoal, social e ambiental. É autor de "Kahuna Healing", "Imageneering for Health", "Mastering Your Hidden Self", "Urban Shaman" e "Earth Energies".

Este artigo foi obtido na coletânea "A Vida Oculta de Gaia: A Inteligência Invisível da Terra", compilada por Shiley Nicholson e Brenda Rosen. Editora Gaia.

No Havaí dos tempos antigos e, de certa forma, também no Havaí dos dias de hoje as pessoas eram muito próximas da natureza. É claro que isso não é nada surpreendente. Os cultivadores de inhame precisavam conhecer intimamente as fontes de água doce, as melhores rochas para a utilização de terraços, o ciclo de crescimento de suas plantas e as fases da Lua. Os pescadores tinham de conhecer as plantas corretas para fazerem redes e cestos, os hábitos e os comportamentos dos peixes que pescavam e as características do clima que cada vento e cada nuvem traziam.

Os artesãos necessitavam de um conhecimento abrangente das pedras e das madeiras tanto como ferramentas quanto como material a ser trabalhado. Os herboristas deveriam estar familiarizados não apenas com o aspecto e as qualidades de centenas de plantas, como também com as características curativas dos peixes, do sal, do barro. E os navegadores nômades tinham de conhecer os segredos dos ventos, das ondas, das nuvens, dos pássaros, do Sol, da Lua e das estrelas. Os havaianos, porém, estavam muito mais do que ligados à natureza em termos de conhecimento e de proximidade. Eram, na verdade, vizinhos numa comunidade viva.

O Pulsar da Natureza

Para os havaianos comuns dos tempos antigos, nobres ou plebeus, toda a natureza tinha vida: além, é óbvio, das plantas e dos animais, também estavam vivos as rochas, as montanhas, os vales, as nuvens, as estrelas, o vento, a chuva e tudo o mais. E a natureza não só tinha vida, como era tão consciente quanto os seres humanos. Portanto, a fim de manter um bom relacionamento com qualquer elemento da natureza, os homens tinham de tratá-los com respeito, como se fossem vizinhos humanos. A partir de sua experiência, as pessoas sabiam que, na maior parte das ocasiões, a única demonstração de respeito necessária era um simples reconhecimento: cumprimentar o pescador ou o tecelão que morava ao lado, ou o Sol que aquecia a pele, ou a Lua que iluminava o caminho à noite; uma flor para a namorada ou uma queda d'água por sua beleza; uma canção ou dança ao seu chefe ou à chuva revigorante, e um presente àqueles cujo auxílio, apoio ou proteção era necessário um porco para o kahuna lapa'au porque curou uma criança, uma galinha ao homem que ajudou na construção da casa, um colar de flores para enfeitar a canoa que ajudava na pesca e algumas frutas chamadas ohelo para satisfazer Pele, o espírito do vulcão.

Este pensamento é denominado, em geral, animismo, nome que se refere à ideia de que tudo está "animado" por uma alma ou espírito que pode existir independente de sua forma material. O animismo era uma filosofia profundamente arraigada e difundida em todo o mundo numa certa época; ainda podemos encontrar traços modernos disso no costume de se dar nome aos carros e aos barcos, às luas e às montanhas. Não chega a representar adoração, apenas a consciência de uma presença espiritual. Para os havaianos, um espírito tendia a permanecer com uma única forma ao longo de toda a sua existência, a não ser que fosse um espírito especialmente forte. Os espíritos das rochas continuariam a ser espíritos de rochas, mesmo que se tornassem outras pedras. Os espíritos das árvores também tendiam a permanecer aos mesmos. Nos humanos, os espíritos tinham uma tendência a continuarem humanos. Pele, o espírito do vulcão, poderia assumir a forma de uma mulher, jovem ou velha, bem como de lava liquefeita, e Kamapua'a, a alma do porco, conseguia se tornar chuva, grama, ou o peixe chamado [lá vamos nós] humuhumunukunukuapua'a. Ainda assim, a única forma de o havaiano comum se comunicar com os espíritos da natureza era através do reconhecimento, das oferendas e das orações.

As Habilidades dos Xamãs

Entre os havaianos, contudo, havia algumas pessoas que tinham maior intimidde com a natureza eram tão íntimas que conseguiam conversar com os elementos, as plantas e os bichos, e tão sintonizadas que eram capazes de se transformar num animal, num vegetal ou num mineral e assumir as suas qualidades, conhecimento e habilidades. Alguns desses abençoados eram chamados de kupua, termo mais ou menos equivalente a xamã. Por dom e experiência, eram curandeiros, ainda que não se limitassem aos sentidos físicos da cura. Um mestre de habilidades xamânicas era chamado de kahuna kapua.

O mais famoso de todos os mestres xamãs havaianos era Maui Kupua, título frequentemente traduzido como "Maui, o Semideus", "Maui, o Prestidigitador", "Maui, o Mágico", ou "Maui, o Feiticeiro". Em todo o Pacífico, narravam-se as histórias de Maui, e apesar de variações locais, praticamente os mesmos acontecimentos são contados pelos ilhéus, separados por milhares de quilômetros de oceano e séculos no tempo.

Uma das histórias havaianas narra como Maui arrancou o segredo do fogo dos pássaros da ilha de Oahu. Há muito tempo, de acordo com a narrativa, apenas os frangos d'água sabiam como fazer fogo. Um belo dia, Maui se cansou de comer comida crua, e foi até o lugar em que habitavam os frangos d'água. Enquanto estavam todos distraídos, Maui capturou um pequeno pássaro e exigiu que lhe contasse o segredo do fogo. Primeiramente, o animal disse que o segredo estava em uma planta, depois noutra, mas Maui era esperto o suficiente para apertar o pescoço da ave enquanto testava cada resposta. Por fim, quando Maui estava tão enfastiado com essas respostas erradas que já estava prestes a torcer o pescoço do frango, o pássaro murmurou que o segredo estava numa árvore chamada hau. O xamã deu uma chance à ave e felizmente conseguiu fazer fogo ao esfregar dois pedaços de madeira dessa árvore. Mas ele estava tão irritado com o frango por ele ter enganado o sábio por tanto tempo que bateu na cabeça do pássaro com um tição. É por isso que, até hoje, os frangos d'água têm uma faixa de penas vermelhas na cabeça.

Essa história possiu diversas explicações interessantes. Uma delas é a de que os frangos d'água vivem nos charcos onde crescem as árvores da madeira leve hau. Outra é a de que a palavra havaiana para frango d'água, alae, tem a conotação de "vermelho" e "nascer do Sol", termos que lembram o fogo. A árvore hau possui flores que ficam com uma tonalidade alaranjada no final da tarde, quando é necessário fazer fogueiras. Para nossos objetivos, o mais importante é que o xamã se comunicava diretamente com os animais para aprender algo de útil à sociedade humana. Uma leitura moderna provavelemnte seria a de que os homens descobriram que o hau queimava intensamente quando atingido por um raio; os frangos d'água estariam incluídos na lenda por estarem associados com a área e pelo simbolismo de sua crista vermelha. Mas os xamãs diriam que era igualmente possível que alguém como o Maui se comunicasse diretamente com os pássaros e aprendesse os efeitos dos raios sobre o hau. Em outras histórias, Maui conversa com inúmeras espécies de pássaros, peixes, morcegos, árvores, com a água, com o vento e com o Sol, tanto para aprender com eles quanto para fazer com que esses elementos fizessem alguma coisa que ele queria.

No Havaí, existem muitas outras lendas mostrando as interações benéficas entre humanos e a natureza. A maioria das histórias são a respeito das corujas como protetoras, guardiãs e auxiliadoras. Em uma história de Oahu, um homem apanhara ovos de ninhos de corujas, mas se comoveu tanto com o choro da mamãe coruja que devolveu todos. Como gratidão, a ave prometeu ajudá-lo caso ele precisasse. O dia chegou quando o homem e sua família estavam sendo atacados por um chefe mau. Milhares de corujas voaram para ajudar o homem e explusaram o inimigo. Até hoje, existem muitos lugares na área de Waikiki que celebram esse grande acontecimento.[Uma vez, passei duas horas rodeando uma coruja, até convencê-la a se deixar pegar no colo por mim. Aí a coruja ficou tirando uma sonequinha no meu colo.]

Igualmente impostantes na mitologia havaiana são as histórias de tubarões que protegem os homens contra outros de sua espécie, ajudam a pescar, alertam sobre as tempestades e salvam os nadadores que estão se afogando, e dos espíritos humanos especiais que se transformam em tubarões para serem auxiliadores de sua família humana.

Como se Comunicar com a Natureza

Obviamente, a principal questão que surge é como as pessoas efetivamente conseguem se comunicar com a natureza, se você aceitar esse contato como possível. É bastante improvável que os frangos d'água, as corujas e os tubarões compreendam a linguagem humana, e quase inaceitável que entendamos a dos animais (afinal de contas, que língua fala um tubarão?). O que eu aprendi em meu treinamento de kupua pode lançar um pouco de luz sobre o que está por detrás das histórias dos xamãs que "falam" com os animais e os outros seres da natureza.

Muito embora as histórias sejam feitas para soarem como se os homens e bichos estivessem conversando normalmente, a comunicação é efetivamente muito mais telepática. Do lado dos humanos, isso inclui uma combinação de disposição, imaginação e, quem sabe, algumas palavras que ajudem a manter a concentração. Uma vez estava eu de pé no lanai de nosso centro em Kilauea, Kauai, a observar uma vespa do lado de dentro que batia a cabeça contra o vidro, tentando sair. Falei com a vespa para chamar a sua atenção (ou para concentrar a minha a escolha é sua) e, na mente, tracei um caminho brilhante da posição em que ela estava, passando em volta de uma coluna e indo para fora pela porta aberta a cerca de 3 metros do ponto em que o inseto se encontrava. Depois, disse-lhe que seguisse o caminho e ela estaria livre. No mesmo instante, a vespa alçou voo e seguiu exatamente pelo caminho que tracei rumo à porta.

Em outra ocasião, eu estava numa grande reunião em Minnesota um piquenique que parecia estar ameaçado por um temporal iminente. Pediram que eu fizesse alguma coisa, então solicitei ao vento que afastasse a tempestade até terminarmos o nosso lanche. Isto é, falei mentalmente e criei uma imagem mental do que eu queria. E o vento cooperou muito educadamente.

Alguns alunos meus conseguiram chamar um veado selvagem a poucos metros deles; outros foram capazes de chamar um golfinho para brincar com eles no mar. Uma disposição pacífica, um pensamento positivo e uma verbalização precisa são os elementos que fazem a ligação. Obviamente, ainda não sabemos o que está acontecendo quando a natureza reage a essa concentração, na mesma medida em que desconhecemos o que ocorre efetivamente quando fazemos a eletricidade correr por um fio. Existem muitas teorias, mas tudo o que sabemos a respeito da eletricidade é que, sob certas condições, ela acontece. No caso da comunicação entre seres humanos e a natureza, tudo o que conhecemos é que, ao estabelecermos determinadas condições na mente, o mundo natural reage.

Eu, minha família e meus alunos nos comunicamos com a natureza satisfatoriamente tantas vezes que aceitamos isso de forma tão natural quanto a respiração. Conversamos com os ventos para tranquilizarmos as turbulências durante uma viagem de avião [se eu soubesse disso antes! Minhas viagens de avião até Montreal duravam 13 horas, com o avião chacoalhando e raios.] Falamos com a chuva para que pare ou venha a um determinado lugar. Conversamos com as baleias, os golfinhos e tartarugas para que apareçam e nos encantem com a sua presença. Podemos falar com as nossas plantas para crescerem mais rápido e com nossos carros para terem um funcionamento melhor. Tudo é parte da natureza e tudo reage.

A Mudança de Formas Através da Fusão Espiritual

Até aqui, discutimos apenas a comunicação por telepatia. Mas e a ideia de se mudar de forma que faz parte de grande parte das mitologias do mundo? Será que não passa de mera fantasia ou há um fundo de verdade? E o que isso tem a ver com o trabalho junto à natureza?

De acordo com minha experiência e treinamento, esse fenômeno é real e prático, mas difícil de ser descrito. Por meio da observação, experimentação e prática, os primeiros xamãs descobriram e passaram adiante o conhecimento de que, se você agir como se fosse outra coisa um elemento, uma força da natureza, um bicho ou uma planta_ e se for capaz de se entregar de corpo e alma a essa representação, algo muito especial vai acontecer. Em primeiro lugar, você se descobriria "conhecendo" coisas de maneiras diferentes das quais faria por meio da experiência comum. Ao representar o papel de uma águia, por exemplo, de repente você poderia saber muito mais sobre os hábitos e comportamentos dessa ave e como seria a Terra a centenas de metros do chão. Representando um búfalo ou um peixe, você saberia onde se encontram os melhores locais de alimentação e a melhor época e as direções para migrar. Em segundo lugar, você descobriria que, se delicadamente você "seguisse a sua vontade" na direção desejada enquanto representasse uma determinada força, um animal, qualquer que fosse, a própria entidade tenderia a movimentá-lo naquele sentido. Os xamãs que assim fizeram também descobriram que tal influência deveria ser suave e positiva (do ponto de vista da entidade sob influência) para que tudo funcionasse bem. Dessa forma, durante a dança da chuva, as nuvens de tempestade teriam de ser persuadidas a descerem e lançarem suas gotas_ não poderiam ser forçadas; e numa dança de caça, era necessário convencer o veado a entrar no alcance do alvo do caçador_ jamais seria coagido.

No Havaí, essa habilidade é denominada kulike, que numa tradução grosseira significaria "criar modos subconscientes". Tal capacidade era e ainda é usada por aqueles que sabem aproveitá-la na pesca, na agricultura, no clima, nas marés e nas torrentes de lava. E mesmo entre essas pessoas, como sempre foi para os xamãs, o índice de sucesso depende muito da habilidade para fundir-se, da capacidade persuasiva e da disposição que a entidade tenha para sofrer influências. Quando um praticante experiente está profundamente concentrado na representação de um elemento da natureza, esse praticante ficará, aos olhos dos observadores, cada vez mais parecido com aquele elemento [o corpo astral assume a forma da coisa representada e se torna perceptível]. Um homem pode objetivamente se parecer com um homem, mas, efetivamente, ao mesmo tempo, se assemelhará a um bicho. Uma mulher continuará visivelmente a ser mulher, e, com a mesma visibilidade, será uma borboleta. É bastante semelhante à capacidade dos atores de teatro e cinema, só que com outros objetivos. E diz-se que um verdadeiro mestre da técnica consegue se concentrar tão bem que é capaz de realmente mudar de aspecto físico e assumir a forma na qual se centraliza. [Caso você queira se transformar em lobisomem, já sabe como.] Contudo, em todas as minhas viagens e aventuras, nunca testemunhei nem vivenciei uma mudança de forma que pudesse ser explicada apenas pela transformação física. Teoricamente, e do ponto de vista do xamã, é possível, mas se acontecer, deve ser raríssimo, pois não existe objetivo útil do trabalho junto à natureza que não possa ser obtido com métodos muito mais simples.

Minha primeira experiência com o kulike aconteceu na África ocidental, sob a orientação de um xamã Hausa. Uma noite, numa cabana no norte do Daomé (atual Benin) [Isso me lembra: O Museu de Arqueologia e Etnologia da USP tem artefatos maravilhosos, de Benin. O museu fica aqui na USP, e vale a pena ser visto.], ele me levou a um transe muito profundo e me auxiliou na fusão de meu espírito com o de um leopardo. Passei o resto da noite como o leopardo, caçando, comendo, observando e sentindo-me pulsante, consciente, vivo e cheio de energia. Com essa experiência, aprendi muito sobre os leopardos e seu incrível senso de força no momento presente. Com efeito, algumas das características do leopardo devem ter-me tomado, pois após muitos anos de minha viagem à África, muitas pessoas me diziam que eu lembrava um leopardo.

De maneira mais prática, uma de minhas alunas me contou que, uma vez, ela colhia rosas e os espinhos a machucavam tanto que ela se fundiu com o espírito dessas flores. Então, pôde colhê-las sem problemas, mesmo que elas tentassem espetá-la. [Quando o calor me incomoda, eu me transformo em fogo, e fico à vontade.]

Mudando de Formas por Meio da Projeção Astral

Outra maneira de mudança de forma empregada pelos xamãs pode ser utilizada na observação dos fenômenos naturais à distância ou influenciando-se no comportamento dos mamíferos, pássaros, peixes e outros. Em havaiano, isso se chama ho'okakaola ("projetar um corpo astral visível"). É provável que essa maneira de mudança de forma dê conta de muitas das lendas tradicionais. Nesse caso, o xamã produz uma forma palpável de pensamento, isto é, um modo de energia [ou seja: é uma forma-pensamento, mas que serve como um avatar de realidade virtual] formado pelo pensamento e carregado de emoções e de intenções, segundo a vontade do curandeiro e servindo como os olhos, ouvidos, voz ou até mesmo seu corpo à distância. Essa técnica parecerá familiar a qualquer pessoa que estudou as mitologias xamânicas europeias, dos nativos americanos ou qualquer outra; entretanto, ela soará estranha às pessoas cuja vivência se limita à tradição científica ocidental. E até mesmo para quem consegue admitir a existência da telepatia e do kulike como uma forma telepática, o ho'okakaola ou as "projeções astrais" podem parecer muito distantes. Mas para milhões de pessoas em todo o mundo, isso é algo muito real.

Apesar de que a forma projetada pode ser a do xamã, é mais comum que essa forma seja a de um pássaro ou mamífero, principalmente quando se trabalha com a natureza. Para mais uma vez se aproveitar de minha experiência na África, era sabido por todos no Daomé que um dos presidentes do país visitava a região norte na forma de um antílope para verificar o comportamento das pessoas e o estado da terra. E meu tio havaiano sempre me visitava na forma de um pássaro, geralmente uma coruja, e utilizava essa mesma maneira para se comunicar com os outros bichos. Contudo, é raro colocar tanta energia na forma astral para alterar as coisas no aspecto físico. Em geral, a capacidade se ser visto e/ou ouvido já é o bastante.

É Simples, Mas Não é Fácil

Todos nós somos parte da vida de Haumea (equivalente a Gaia em havaiano), quer sejamos humanos ou não, e todos nós nos influenciamos por todo o tempo, que tenhamos consciência disso ou não. E se a perspectiva do xamã é a de que a influência é inevitável, por que não torná-la consciente e positiva? Afinal de contas, enquanto influenciamos a natureza, também sofremos a influência dela.

Porém, a fim de trabalharmos de maneira eficaz com a natureza, precisamos aprender a permanecermos em paz conosco. Uma coisa é falar no uso de técnicas como a telepatia, fusão espiritual e projeção astral para aprender e influenciar a natureza; mas como utilizá-las a fim de conseguirmos resultados é outra história. Como humanos, aprendemos a ignorar os dados sensoriais de que não gostamos; a natureza, por sua vez, tem uma consciência poderosa. Se nos aproximamos dela com raiva, medo ou desejo de controlá-la, não chegaremos a lugar nenhum. Mas se nos aproximamos dela com tranquilidade na mente e amor no coração, então nem importa a técnica que utilizaremos. E, como diz que provérbio havaiano, ao expressar a universalidade do amor:

He manu ke aloha, 'a' ole lala kau 'ole.
(O amor é como um pássaro;
Não há galho em que não se empoleire.)
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