Autor Tópico: Ma'at, a Deusa e o Conceito  (Lida 411 vezes)

Naelyan Wyvern

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Ma'at, a Deusa e o Conceito
« Online: Setembro 01, 2016, 02:50:29 pm »

“O mundo da flor de lótus é a região de Ma’at onde preside a verdade. Que minhas palavras sejam agradáveis para ti, Senhora dos Livros, pois com ela serei julgado no salão da verdade.”

Como Deusa do equilíbrio cabe a Ma’at organizar o caos e a ordem. A estrutura que Ma’at personifica é a matriz da natureza, que flui livremente, adaptável.

Ela está associada a astrologia e às artes divinatórias, pois é Ela quem assegura que as coisas fluam como deveriam.

Princípio: Harmonia, Equilíbrio. Ela garante a permanência das leis naturais, equilibra situações que tenham saído do equilíbrio.

Função: Estrutura. Ela julga casos legais e traz novas possibilidades para situações insolúveis. Entretanto, a pessoa precisa estar disposta a aceitar a estrutura que ela traz, pode não ser a solução convencional, mas a situação vai ser normalizar. Ela é também a mentora celestial, permitindo o entendimento de novas ideias e conceitos.

Ma’at é um processo, não um evento. Ma’at acontece. O núcleo da função de Ma’at não são as 42 confissões negativas, assim como elas não são mandamentos de bom comportamento. A parte mais importante do julgamento das almas é o pesar do coração contra a essência de Ma’at.

Mas Ma’at não é a pena no outro lado da balança. Ma’at é a própria balança. Uma balança não cria ou escolhe o que pesa. Ela é completamente neutra. Ma’at não tem favoritos ou escolhe lados.

Uma balança é reativa. Ela só começa a pesar quando algo é colocado em seus pratos. Ma’at é igualmente reativa. Ela só age depois que você age e então age em reação ao que você fez. Ela não te diz o que fazer. Ela não tenta te impedir de agir, Ela simplesmente reage a sua ação, assim como as leis da própria física. Ma’at é parte integrante da ordem natural das coisas.

Ma’at tem um propósito e seu propósito é equilibrar as coisas, assim como a balança. Uma balança pesa duas coisas e encontra um ponto de equilíbrio entre elas. Ela não decide o que é melhor ou pior, o que está certo ou o  que está errado. Ela simplesmente segura ambas as coisas e faz os ajustes necessários, forçando-as ao equilíbrio. Esta é a ação de Ma’at. Ela não age tão rapidamente ou da forma como os homens desejam, mas Ela sempre vai agir de acordo com nossas ações. Ela vai pesar o que for colocado em seus pratos, não importa quem colocou ou porque.

Se você presta atenção ao fato de que tudo o que fizer vai gerar uma reação, vai perceber que o melhor a ser feito é assumir a responsabilidade por seus atos e agir de forma equilibrada.

Seres humanos são criaturas socias e por isso nossas ações também afetam as pessoas ao nosso redor, uma vez que nossas ações vão trazer a ação de Ma’at também às pessoas ao nosso redor.

Somos responsáveis pela Terra inteira. E o que fazer então? Vivam a vida de equilíbrio, por você, pelas pessoas, por Ma’at que existe justamente para equilibrar as coisas.

Ma’at então seria o karma? Tomando por karma a noção de que as coisas boas ou ruins que vivemos são resultados de coisas boas e ruins que fizemos em vidas passadas.

Primeiro, Ma’at não é tão paciente, Ela não vai esperar até uma próxima vida. Ma’at age o tempo inteiro e começa a agir no momento em que você age.

Segundo, karma traz o conceito de que o sofrimento é uma forma aceitável de viver e rotineiramente merecido. Nada poderia ser mais distante das crenças de nossa fé. Somos criaturas dos Deuses, não erros de segunda mão que merecem punição eterna. Eu absolutamente me recuso a acreditar que o sofrimento seja uma parte necessária do sofrimento humano, ou que qualquer pessoa, não importa o que ela tenha feito, mereça que algo lhe aconteça que não seja mensurável em relação a outras de suas ações, ou mereça ser punida em uma vida completamente diferente por algo de que ela não se lembra de ter feito. Esta não é uma cultura de vítimas presas em um loop eterno, pagando pelo que podem ou não ter feito, é uma cultura de indivíduos responsáveis que podem – e devem – assumir as consequências de seus atos.

Ma’at é um caminho e um difícil de ser trilhado. Ela nem sempre é gentil, mas é sempre, sempre justa. Os Deuses nunca nos dão um desafio com o qual não possamos lidar. Mas durante essas épocas às vezes nos desviamos de nosso caminho. E nessas ocasiões é quando vemos Ma’at mais claramente e só nos damos conta disso quando nos vemos longe dela e percebemos que não foi ela que se afastou.

Ma’at é um ser, uma Deusa. Mas é também um conceito, uma verdade universal em constante movimento. Ma’at é também aquilo que podemos nos tornar. Tudo que temos que fazer, é seguir o caminho do meio.

“Fale Ma’at, faça Ma’at
Pois Ela é poderosa
Ela é grandiosa e perdura
O valor dela está nas mãos daqueles que a usam
Ma’at conduz o indivíduo ao sagrado”

Naelyan Wyvern


Naelyan Wyvern
Líder e Fundadora da Tradição Caminhos das Sombras.