Nomes Mágicos

Uma das etapas mais importantes da vida de um bruxo é a escolha de seu nome mágico. Existem dois tipos de nomes mágicos, o chamado Nome da Arte, que é seu nome perante a comunidade pagã; e o nome mágico secreto, um nome usado apenas entre você e seus Deuses de culto. Alguns Covens ou Tradições costumam definir um nome mágico interno, mas isso não é obrigatório. Em outras tradições o postulante recebe um nome mágico secreto quando se inicia.

Seu nome mágico é a chance de trazer para a sua vida as energias compatíveis com o que você quiser se tornar. Ele deve refletir algum aspecto importante para você, algo que é ou deseja ser, um animal com quem você se sente sintonizado, uma forma da natureza, um conceito ou idéia que você quer trazer para a sua vida. Ele será um foco de seu poder. Você pode tanto escolher seu nome racionalmente, quanto pedir à Deusa que te inspire um nome por meio de sonhos ou sinais.

Outra função do nome da arte é proteger sua vida fora da comunidade mágica, protegendo sua identidade. Ao manter seu nome civil mais resguardado você estará também resguardando sua família contra energias indesejáveis e até contra pessoas indesejáveis. Muitas pessoas assumem um nome da arte espetacular esperando com isso varrer para debaixo do tapete seus medos e inseguranças. Não é para isso que ele serve. O nome da arte faz parte da construção de sua identidade mágica.

Ao longo de sua vida você ouviu de muitas pessoas o que podia ou não fazer, o que é ou não possível. “Você não é forte o suficiente.” “Você não é magro o suficiente.” “Você não é bonito o suficiente.” “Você é desajeitado.” “Magia não existe.” “Deixe de lado essas besteiras esotéricas, você é inteligente demais para acreditar nessa baboseira.” Essas e outras afirmações foram sendo implantadas em sua mente ao longo dos anos. E foram colocando limites e barreiras para o que se pode ser e conseguir.

Você é o que você acredita ser e, infelizmente, temos a tendência de acreditar muito mais em opiniões alheias do que na nossa própria. Quando você assume um nome da arte, você se livra de tudo isso. A pessoa que recebeu aquele nome acabou de nascer, ninguém tem uma opinião sobre ela, ela é livre para construir em sua identidade exatamente o que deseja.

Isso não significa varrer para debaixo do tapete quem você era, e sim, acrescentar algo mais, um algo que será unicamente o que você quiser. O Fernando pode não ser disciplinado o suficiente para meditar todos os dias, mas o Corvo Noturno, com certeza vai, afinal, ele pode ser o que quiser.

Muita gente escolhe o nome de uma divindade como nome da arte. Quantas Morganas e Perséfones você já encontrou? Quantos Gwydions e Lughs? As pessoas sentem uma ligeira atração por um determinado Deus ou Deusa e já resolvem usar este nome. Quando alguém vem me dizer que escolheu o nome de uma divindade para seu nome da arte a primeira coisa que eu pergunto é: Como foi o ritual em que você obteve a permissão da Deusa ou Deus para usar o nome dele ou dela? A maioria nem sabia que deveria fazer isso. E tem mais uma coisa que a maioria das pessoas não sabe: quando você adota o nome de uma divindade você se torna um avatar dele ou dela. A partir daquele momento, existe uma grande chance de que você venha a viver em sua vida parte ou todo o mito daquela divindade.

Conheço uma sacerdotisa que optou por usar o nome de Rhiannon e se viu vivendo ciclos curtos de felicidade seguidos por ciclos de sete anos de sofrimentos e problemas. Foi apenas no segundo ciclo que ela se tocou que estava vivendo um dos grandes mitos de sua Deusa. Isso significa então que toda pessoa que usar o nome de Hera está condenada a ser traída? Que toda Ártemis será solteira para sempre? Não necessariamente, mas estas são possibilidades que não devem ser ignoradas.

Não tente usar o nome de uma divindade que esteja associada a algo completamente alheio à sua natureza. Se você tem pavor de violência, não assuma o nome de uma divindade guerreira. Se você tem medo de cães não assuma o nome de uma divindade que tenha o cão como um de seus símbolos. A menos, é claro, que você esteja justamente buscando uma forma de lidar com este novo aspecto. Se esse for um caso, faça um ritual para a divindade explicando o motivo da sua escolha e peça Sua ajuda para lidar com a superação desses aspectos.

Se você realmente quiser usar o nome de um Deus ou Deusa, faça isso do jeito certo. Primeiro estabeleça um contato com a divindade em questão, monte um altar para ela, faça oferendas, medite, pesquise. Apenas então, faça um ritual pedindo as bênçãos daquela divindade para que você use o nome dela. Peça permissão para usar o nome. Se a permissão não for concedida, ficará muito claro para você. Se você tiver dúvidas, peça um sinal que você consiga identificar.

Se você receber a permissão, ótimo, já sabe que poderá usar o nome, a questão será lembrar de que sempre existe a possibilidade de você se tornar um avatar daquela divindade e começar a viver aspectos daquele mito. É importante também manter um culto mínimo a ela.

Após escolher seu Nome da Arte acostume-se com ele, faça com que as pessoas te conheçam por ele, assine com ele quando estiver falando com outros pagãos, em listas de discussão, eventos, etc. Se você preferir ter apenas um nome mágico secreto, assine seus juramentos pessoais e seu Livro das Sombras com ele, apresente-se com ele para os quadrantes e os Deuses.

É preciso lembrar que seu nome da arte vem com uma carga de desafios por si só e mais, você não se livrou da carga de desafios que tinha antes. Pense bem antes de escolher seu nome mágico, assuma o nome apenas para você por uns dias e aguarde para ver como você se sente com ele. Se depois, quando você tiver certeza de sua escolha, faça um ritual para assumir aquele nome mágico perante os Deuses e perante os elementos.

Honre seu nome mágico, não permita apelidos, desvios ou gozações. Se você usa o nome de um animal, honre o animal em questão. Faça de seu nome um tributo, não apenas à sua magia, mas à sua palavra e à sua ética.