O Festival de Isis e Osiris da TCS

No último final de semana celebramos nosso Festival para Aset e Wesir. Foram 24 horas de oferendas dedicadas aos Deuses. O tema do ritual foi a história de Aset e Wesir, desde a criação do mundo até a consagração de Wesir como Senhor do Submundo e a vitória de Heru-sa-Aset (Hórus) sobre Set.

Foi um dos rituais mais bonitos que eu já celebrei em minha opinião. Sou suspeita para falar, é claro. Primeiro porque eu criei os textos do ritual, segundo porque eu adoro a história de Aset e Wesir.

O que teve de diferente neste ritual é a participação de outros Deuses e Deusas ficou mais evidente. Eu tomei algumas liberdades poéticas na história, mostrando as emoções dos Deuses e Deusas envolvidos. Por exemplo, vimos em primeira mão o sofrimento de Nebt-het pela falta de amor que a levou a trair sua irmã e permitir-se uma única noite de amor com Wesir. Vimos a reação de Wesir ao perceber que havia confundido as duas. Vimos a forma como Aset salvou e adotou Yinepu (Anúbis) e a lealdade e o amor que ele sempre dedicou a ela e a Wesir. Vimos o sofrimento do próprio Wesir, ao ser separado de Aset.

Nunca antes o lado de Wesir havia sido explorado em uma de nossas celebrações. Neste ritual exploramos seu ponto de vista. Wesir sofreu três mortes em nosso ritual, a primeira ao ser aprisionado no caixão por Set e jogado no rio. A segunda ao ser picado em pedaços por Set. E a terceira, ao ser conduzido ao submundo e perceber que não poderia mais voltar.

Eu adorei particularmente explorar a participação de Djehuty (Thoth) e Ma’at na história, agindo em momentos chave para colocar as coisas em movimento.

Para mim, as partes mais lindas foram o renascimento de Wesir como senhor do Submundo e a forma pela qual ele criou o reino dos mortos…

“E em sua dor e alegria Wesir se transformou. Ele se fez forte. Ainda havia muito para o Senhor da Morte fazer. Wesir se entregou à tarefa de construir um novo reino, uma nova cidade, um novo palácio, um local de boas vindas, lar eterno para os mortos.

Ele pegou sua tristeza e fez um rio para fluir no submundo. De suas lembranças de seu amor e sua vida ele fez o rio da lembrança. De sua dor por não consegui esquecer ele fez o rio do esquecimento. Ele pegou seus pensamentos preocupados e criou labirintos e câmaras. Seu desejo pela verdade e pela vida eterna tornou-se a balança da justiça, a manutenção da ordem em meio ao caos. Ele fez um grande reino onde os mortos podiam existir e descansar.

E o que era vazio e sem vida, encheu-se de esperança. O que era solidão tornou-se a promessa do retorno, do reencontro. E o Deus do ontem, tornou-se o Deus do amanhã e renasceu, pleno de força e poder, em uma vida que jamais lhe seria retirada novamente.”

…E o reencontro final de Aset com Wesir após a vitória de Heru sobre Set:

“Aset olhou a seu redor e viu que sua tarefa estava cumprida. Seu filho reinava nas duas terras e a vida voltara a Kemet. Então ela subiu em um barco de papiros e se dirigiu para a margem oeste do Rio, onde os homens colocavam seus mortos para o descanso eterno.

Com o poder sobre a vida e a morte que agora era seu, Aset abriu então o portal para o reino dos mortos e trilhou os caminhos conhecidos apenas pelos que não mais trilhavam os caminhos dos vivos, rumo ao grande salão do julgamento, o palácio construído por Wesir. E lá estava ele, sentado em seu novo trono, esperando, pois ele sabia que sua amada haveria de buscá-lo.

Bastou um olhar para que Wesir se lançasse nos braços de sua amada. Não havia palavras para descrever a alegria do reencontro e palavras não eram necessárias. Wesir estava mais uma vez completo, pleno de força e poder. E Aset era mais uma vez sua esposa e rainha.

E aquela que reinava no mundo dos vivos, trono da existência, pôde enfim assumir seu lugar e tornar-se também a Rainha do Submundo. Wesir era agora o Senhor dos Mortos e não mais podia atravessar o portal para o mundo dos vivos. Mas Aset, que conhecia o nome secreto de Rá, podia transitar livremente entre os mundos para visitar seu eterno amado e viver o amor que os uniu desde antes de seu nascimento e que nem mesmo a morte foi capaz de destruir.

Tudo estava como devia ser e a vida seguiu seu curso.”

Este último trecho serviu de encerramento para nosso ritual, pouco antes do nascer do sol de um novo dia, já sob o reinado de Heru.

Agradeço de coração a Sibyl, iniciada da TCS, que me ajudou a planejar a sequência de eventos e as oferendas de cada hora. E agradeço a todos os iniciados e dedicados da TCS em Brasília, que vieram participar do rito, trazendo suas oferendas, responsabilizando-se pelas refeições, e acrescentando sua energia ao ritual, de forma a fazer daquela celebração mais um momento de beleza para os Deuses.

E agradeço mais ainda a Aset e Wesir, que me inspiraram com sua história de amor e lealdade.

Espero que tenham ficado satisfeitos com nosso trabalho, minha Senhora e meu Senhor, pois foi realizado em sua homenagem.

En Aset her Wesir het nebet nofret wabet.

(Para Aset e Wesir, todas as coisas belas e puras.)

Naelyan

One thought on “O Festival de Isis e Osiris da TCS”

  1. (Meu.espaço.nao.funciona.entao.coloco.os.Pontos)
    Primeiramente.queria.dizer.que.li.o.blog.todo.e.achei.muito.interessante.Parabens.aos.escritores!
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