O Festival, os Panteões e o Altar

Esta semana estou envolvida com a preparação de nosso festival para Aset e Wesir (Isis e Osiris). O Texto do ritual ficou com, nada mais, nada menos, do que 60 páginas.

Durante as 24 horas em que passaremos honrando nosso casal sagrado kemético, contaremos a grande história de amor de Aset e Wesir.

Eu tomei certas liberdades poéticas no texto, misturando textos sagrados encontrados nas pirâmides e papiros de Kemet com a forma moderna de contar uma história. Muitos dos hinos que vamos usar são originais, encontrados nos grandes monumentos das Duas Terras. Alguns são de minha autoria ou adaptações de textos de vários autores.

O resultado ficou belo, e eu espero que seja do agrado de nossos homenageados.

En Aset her Wesir het nebet nofret wabet.

(Para Aset e Wesir, todas as coisas belas e puras.)

Este é o segundo ritual de oferendas que faremos este ano dedicado a um de nossos casais sagrados. Já tivemos o festival de Brigit e Lugh. Agora faremos o de Isis e Osiris. Depois virão os demais.

Os responsáveis pelos próximos rituais já estão se animando, abrindo-se às possibilidades que o festival oferece. Afinal serão 24 horas vivendo a presença de cada um de nossos casais sagrados e suas energias.

Tivemos 24 horas celtas, agora teremos 24 horas keméticas, depois teremos 24 horas gregas, 24 horas entre dragões e 24 horas nórdicas.

O engraçado foi que recentemente uma de minhas iniciadas veio me contar que um garoto veio questioná-la sobre o fato de celebrarmos mais de um panteão de Deuses. Segundo ele, isso é errado, deveríamos ficar com apenas um panteão e não fazer essa mistura toda.

Este é um conselho saudável para um iniciante nos mistérios dos Deuses antigos: Fique com um panteão de cada vez, não misture egrégoras!

Gostaria de dizer a nosso jovem amigo que aqui na TCS já passamos desta fase inicial e já aprendemos a lidar com as energias de vários panteões sem causar ou sofrer problemas.

Vivi isso claramente em casa, deste a semana passada, quando a preparação para o rito de Aset e Wesir se misturava em meus afazeres mágicos com meus trabalhos Wanen. E enquanto eu pintava duas belas estátuas, uma para Yemanjá e uma para Ran, meu amor construía uma para Wesir.

E vimos de perto a ação do mito de Wesir, quando a primeira estátua que meu amor fez, foi inexplicavelmente decapitada durante a noite em que ficou secando no Templo. Parece que Set continua levando a sério sua função de picar Wesir em pedaços!

No final de uma noite de trabalhos artísticos para os deuses, terminamos o turno brindando aos Guede Lwa, que chegaram recentemente em nossas vidas.

E no meio disso tudo eu estava lendo o novo livro do Rick Riordan, The Lost Hero, cujos personagens são alguns dos Deuses gregos e romanos.

Para variar, agora que meu aniversário se aproxima, decidi mudar novamente meu altar do quarto. Ao invés de um altar puramente Kemético como ele esteve nos últimos dois ou três anos, esta minha nova roda vai me encontrar com um altar mais oceânico para honrar meu princípio criador. Aset continua com seu lugar de honra, bem no centro do altar, mas agora será ladeada pelas novas estátuas de Yemanjá e Ran que eu pintei.

Decididamente, minha casa e minha vida contam com a presença de mais de um panteão de Deuses. Mas ao invés de problemas e conflitos, o que eu vejo nascer a cada dia é uma tapeçaria lindamente tecida, mais rica pela presença de cada força divina que nos cerca.

E minha vida se faz ainda mais mágica.

Naelyan