Vamos fazer diferente, vamos fazer a diferença.

Minha avó dizia que só vale a pena se prender ao passado pelas boas lembranças e pelas lições que ele nos traz.

Nosso passado nos trouxe inúmeras lições e o que vamos fazer com o que aprendemos de hoje em diante, é conosco.

Minha época favorita aqui em Brasília para a bruxaria foi 1999. Não havia tradições, não havia Abrawicca, não havia covens, nem grupos formais. Havia pessoas interessadas em celebrar os Deuses e fazer magia. Uníamo-nos em torno desses objetivos e celebrávamos juntos. Ninguém se metia na vida de ninguém, ninguém criticava ninguém. Estávamos unidos por nossa paixão pela magia e pelos Deuses.

Em nome desta paixão, alguns de nós ensinávamos. Tínhamos reuniões de treinamento, sessões deliciosas de prática e técnica mágica. Eu não sabia o que os outros estavam fazendo com suas vidas e eles não sabiam o que eu fazia da minha e ninguém se importava com isso. Pois nosso amor aos Deuses era mais importante, nosso amor à magia era mais importante.

Em algum momento de nossa jornada perdemos de vista aquilo que realmente importa, aquilo que nos trouxe a este caminho. Passamos a nos preocupar demais com as pessoas, com os métodos, com o que fulano disse, com o que sicrano fez. Criamos regras, definições. Aqueles que não se encaixavam nas regras não podiam mais celebrar conosco.

Entramos em uma tradição, tivemos que fundar outra. Mais regras. Definiram quem podia ou não podia treinar e como treinar. Alguns começaram a querer mandar até na forma como os outros traçavam seus círculos. Tivemos rompimentos. O grupo ficou menor, menos gente junta celebrando os Deuses.

Novos grupos, novas regras. Groves, círculos, quem pode e quem não pode fazer isso ou aquilo. Mais rompimentos, mais separações.

Crescíamos em número, mas nossos grupos ficavam cada vez menores. Não celebrávamos mais com este ou aquele grupo porque nossos egos não permitiam.

Com o tempo não conseguíamos mais tirar os olhos de nosso próprio umbigo, ao invés de olharmos para os Deuses, ao invés de fazermos magia.

Pessoas de quem gostávamos, pessoas que tinham os mesmos ideais viraram nossas inimigas eternas. Passamos a viver de intrigas e fofocas, de ressentimentos e falta de comunicação. E cada vez menos gente se junta para celebrar os Deuses.

Perdemos nosso rumo. Perdemo-nos de nossos corações. Deixamos que eles se enchessem de ressentimento e mágoa ao invés de se encher de magia e adoração aos Deuses.


Mas nesta roda tenho uma nova proposta: Vamos voltar a nossas raízes e fazer o que realmente importa. Vamos voltar para a magia, vamos voltar para os Deuses.

Que este seja o nosso lema para a TCS nesta roda:

Vamos fazer diferente, vamos fazer a diferença.

Naelyan

2 thoughts on “Vamos fazer diferente, vamos fazer a diferença.”

  1. Concordo plenamente com oque vc disse. Aqui em fortaleza a bruxaria era pouco conhecida, ou eu conhecia poucas pessoas que eram bruxas e aos poucos fomos nos encontrando um por a um, e assim tinhas um grupo de solitários, cada qual com sua bagagem de outras rodas e vontade de aprender nobvas formas de celebrar os Deuses. Cinco anos se passaram, temos alguns convens, circulos e grupos de estudos. Como tudo o que tem vida vivemos as coisas boas e não tão boas dessas mudanças: cada um tem seu grupo (não celebramos juntos), poucas formações muita informação temos divergencias que antes tambem existiam, mas hoje é motivo de briga, diwscordia, tem que existir um certo, uma forma, um padrão a ser seguido. Por vezes começo a ver algumas semelhanças esse padrão e o padrão imposto pelo patriarcado. Tenho que tomar cuidado com o que digo, existem divisões, separações, outros acabam se deixando levar pela “loucura” e tentam mudar a antigfa arte, lhe acrescentam regras, criam “Deuses” e “antigas” formas de celebrar, como fuga aos novos padrões impostos. Amo na arte a liberdade, liberdade que hoje me é limitada, no falar, no fazer, no pra quem falar, hoje se vc esta com sicrano não poderá estar com fulano. Por acaso não somos todos unidos pelo Amor a Deusa?! Acredito que não mais. Fica o desejo de fazer diferente de aceitar as diferenças, de por o que nos torna semelhantes, o objetivo que temos em comum acima das tradições, dos padrões e das regras. Sei pouquissimo sobre a arte, mais muito sei sobre a Liberdade e sobre as formas como o Amor aos Deuses pode se fazer sentir e a principal delas é sem Hipocresia. Eu Desejo fazer difente, eu desejo fazer a diferença.